MIL VISUALIZAÇÕES

O release de Royal Destiny, publicado pelo Digestivo Cultural, ultrapassou 1000 (mil) visualizações. Um fato a ser comemorado! Acesse o release clicando na imagem. Royal Destiny é uma investigação do detetive Alyrio Cobra. Prestes a embarcar em uma viagem para Veneza, ele recebe uma ligação: o pedido desesperado de um médico. Dr. Marcelo deseja saber de uma vez por todas o que aconteceu com sua esposa, também médica, Dra. Leilah, que entrou em depressão após tentativa de socorro a um paciente na periferia de São Paulo. Enquanto atendia o idoso, Leilah viu um bebê engatinhando em sua direção, segurando algo nas mãos. Ela logo identificou o que a criança carragava: um osso humano! É o que a leva a uma profunda depressão. Fascinado por História, especialmente a época da ditadura militar e presos políticos, George, vizinho de escritório e muito amigo de Alyrio, encanta-se pelo caso. Alyrio Cobra tem poucos dias para averiguar o que de fato ocorreu com a médica e de quem é o osso que a criança carregava. Seria de alguém enterrado durante a ditadura militar em um cemitério clandestino? Alyrio vai a Veneza e embarca no fantástico navio Royal Destiny num cruzeiro pelo mar Adriático. Antes de embarcar vê uma mulher jogar um embrulho no mar. Curioso, logo no primeiro dia de viagem, encontra Clarice e ela confessa-lhe que havia jogado no mar a faca com que degolara um homem. Numa viagem de férias, Alyrio Cobra acaba fazendo o que mais gosta de fazer. Acompanha George pelo Skype investigando se havia um cemitério clandestino naquela área da cidade, e tenta descobrir se Clarice, de fato, degolou um homem. Navegando pelo Adriático, entre amores e cidades interessantes, Alyrio Cobra vive duas investigações. Royal Destiny pode ser comprado no link: http://amzn.to/2GN73af
O HOMEM GENIAL

Na última crônica, falamos sobre a fantástica fórmula literária: crime, investigação e solução. Como a invenção da roda, que nos dias de hoje ninguém se pergunta como alguém teve essa ideia, também com o romance policial acontece o mesmo. No entanto para criar esse homem que é uma máquina de pensar, Poe teve de incorporar muito bem a sua época. Quando ele engendrou “Os Crimes da Rua Morgue”, era a época do positivismo. Comte criava a sociologia, uma ciência fundada na análise de fenômenos diretamente observáveis. No positivismo, considerava-se como único conhecimento legítimo o que se encontrava nas ciências naturais, baseado na observação, experimentação e utilização de conceitos matemáticos. Acreditava-se que a ciência deveria basear-se na evidência (que fornece idéias claras e distintas) e na dedução que as encadeia (técnica que o primeiro detetive vai usar). Era a época em que Charles Darwin, baseado na observação da natureza, estava formulando o seu livro “A Origem das Espécies”. E foi baseado na observação que, aos poucos, percebeu-se que mesmo no anonimato da cidade grande, o criminoso deixava marcas. Ninguém se deslocava sem deixar traços. Muitos foram os folhetins publicados na imprensa da época que falavam de violência e crimes. No entanto, foi Edgar Allan Poe quem criou um homem genial, capaz de observar cientificamente cada um dos traços deixados pelo criminoso, e que através deles, vai ser capaz de detectar o assassino. Esse homem genial também teve uma pitada de influência do romance de cavaria do final do período medieval. O romance de cavalaria era feito de um enredo cheio de suspense e violência, e que tinha como propósito o modelo cristão em que os cavaleiros do bem, que em geral saíam em busca do santo Graal, após muitas e variadas peripécias, vencessem o mal. Chandler, num ensaio, fala do detetive como um cavaleiro errante pelas ruas de Los Angeles, a cidade grande. Acredito que o romance policial traz também dos romances de cavalaria a sua carga mítica: a grande luta do bem contra o mal que termina por apontar o criminoso, resgatando assim o mundo do caos. O fato é que apesar de boa parte dos críticos considerarem a literatura policial como um gênero menor, ela é um dos gêneros mais lidos no mundo. Seu público é eclético e variado: adolescentes e idosos, profissionais liberais, intelectuais, professores universitários, pesquisadores, homens e mulheres, aposentados, etc. Ainda não existem estudos definitivos para explicar o porquê desse gosto do leitor. Talvez a explicação seja que o uso da fórmula (crime, investigação e solução) na construção literária traga em si uma grande carga mítica. Ela passa a funcionar como um arquétipo, pois satisfaz as exigências do bem vencer o mal. Existe também um grande desafio intelectual entre o leitor e o detetive. O leitor segue o raciocínio lógico e, junto com o detetive tenta desvendar o crime. Quando finalmente o detetive captura ou simplesmente aponta o criminoso, há uma sensação de que o mundo foi resgatado do caos, que a ordem foi restabelecida. Como vimos, foram necessários séculos de História e Civilização e uma conjunção de revolução industrial, literatura gótica, romances de cavalaria e filosofia positivista para que Allan Poe juntasse tudo isso numa coqueteleira, chacoalhasse bem e produzisse o detetive. Esse homem genial traz a cada um dos leitores o prazer de enveredar num cotidiano repleto de minúcias, onde o raciocínio lógico deságua num final feliz e, diferentemente do que vemos acontecer na realidade dos dias de hoje, o bem sempre vence o mal, proporcionando aos leitores a mesma satisfação do mundo mágico dos contos de fadas! Com tudo isso é fácil se tornar uma “addicted”! Se você gostou, acompanhe a coluna. Quarenta anos depois, Sir Arthur Conan Doyle usou a fórmula com maestria! Um estudo em vermelho! Até lá!
COMEÇANDO PELO FINAL FELIZ

Em 2004, 2005 publiquei uma série de crônicas falando um pouco do histórico do romance policial no blog da editora KBRdigital, que então começou a publicar as investigações do detetive Alyrio Cobra. Agora publico-as mais uma vez no blog do detetive Alyrio Cobra. Quando aprendi a ler, minha primeira leitura foi Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato, livro que tenho até hoje. Na seqüência, devo ter lido livros infantís, mas o real prazer da leitura veio com os livros protagonizados por Dr. Watson e Sherlock Holmes. Era delicioso me deixar levar pelo encantamento de Dr. Watson diante da fantástica capacidade de pensar de Sherlock Holmes, além de poder conhecer detalhes interessantes da Londres da rainha Vitória. O tempo foi passando e eu me tornando uma “addicted” da literatura policial, dos enigmas bem montados. Verdadeiras equações matemáticas! Como em todos os gêneros, no policial também há livros ótimos, maus, bons e regulares. Há também os que a gente gosta ou não, independente do que diz a crítica. É preciso ir lendo e formando uma biblioteca dos que valem uma releitura. Nas “crises de abstinência”, é importantíssimo ter algo de boa qualidade bem à mão. A literatura policial não trabalha com grandes questões filosóficas, mas com a vida no seu dia a dia, e a morte como parte da vida. A característica marcante dos detetives é a capacidade de observação de minúcias despercebidas aos olhos das pessoas comuns. É através dessas pequenas pistas perdidas no cotidiano que o detetive chega ao criminoso e aponta o culpado, fazendo com que o bem vença o mal. Ou seja, que o livro tenha um final feliz. Da mesma forma que nos romances de amor o mocinho tem de acabar casando com a mocinha, no romance policial o leitor precisa saber quem matou. E, de alguma forma, perceber que houve uma punição. Coisa que não acontece na vida real, especialmente na nossa política. Na ficção, o leitor de romances policiais exige um final feliz! Quando criei o detetive Alyrio Cobra, busquei a origem desse gênero literário. Se pensarmos em crime, podemos afirmar que é um dos enredos usados desde sempre tanto na vida real como na literatura. No Gênesis e nas tragédias gregas encontramos muitos crimes. Segundo a Bíblia, a vida na terra, fora do Paraíso, começa com Caim matando Abel! Ou seja, com um crime! No caso, não foi necessário um detetive. Deus tudo via, não precisou de nenhuma artimanha para apontar o assassino. Desde o registro deste primeiro crime, foram necessários muitos séculos de História e Civilização para se criar o primeiro detetive. E o primeiro homem genial, capaz de detectar as marcas deixadas por um criminoso foi o detetive Auguste Dupin, criação de Edgar Allan Poe. Na árvore genealógica da literatura policial, Allan Poe é o tronco principal, o grande precursor. Quando publicou “Os Crimes da Rua Morgue”, e em seguida “O Mistério de Marie Roger” e “A Carta Roubada”, teve início uma das mais fantásticas fórmulas literárias de todos os tempos (crime, investigação e solução), que vem se repetindo até nossos dias com estrondoso sucesso. O detetive é uma máquina de pensar, que a partir de vestígios, pistas e indícios, consegue, através de uma dedução lógica rigorosa, reconstruir toda a história da criatura que praticou o crime. Para engendrar essa figura, Allan Poe teve de incorporar muito bem o espírito da época em que viveu. Vamos dar uma olhada por lá! Em meados do século XVIII, quando o detetive Auguste Dupin estava sendo elaborado, a revolução industrial, com seus motores movidos a vapor e suas locomotivas, trazia mudanças bastante significativas ao mundo civilizado. Uma delas foi o surgimento das grandes cidades. Também foi uma época em que os ricos ficaram mais ricos; e nas cidades se juntavam os pobres que ficavam mais pobres. Surgia a miséria. Na literatura, o gênero era o gótico que se alimentava do cenário arquitetônico das cidades, especialmente os becos sujos povoados de pessoas miseráveis vivendo de restos de lixo. O gótico alimentava-se também do sobrenatural nos monastérios e igrejas, com sua arquitetura fantástica que incitava aparições. Era nessa atmosfera que se ambientavam histórias de horror, de crimes misteriosos, onde muitas vezes intervinham forças misteriosas. Foi a partir desses cenários que se criaram a novela de terror, a de ficção científica e o policial. Com o surgimento das grandes cidades e da consequente concentração de população, apareceu a ideia de anonimato, situação muito propícia ao crime. O criminoso, que já não era um elemento conhecido em sua comunidade, mas um anônimo. Acreditava poder cometer o delito e facilmente se perder na multidão. Por outro lado, o aparecimento desse homem que praticava delitos, fez com que a polícia começasse a se organizar de forma sistemática. O romance policial com seu detetive precisou de mais alguns truques. Por estar escrevendo uma crônica, não vou me alongar. Se você ficou curioso, leia na próxima crônica a continuação. Vera Carvalho Assumpção
FIM DE SEMANA DE TERROR E MISTÉRIO

Vera gosta de aventuras, não só as que eu vivo e conto e ela escreve. Também gosta de viver ela mesma as aventuras. Entre 17 e 19 de novembro esteve no Solar do Vinhedo, em São Roque, com um grupo que a impressionou muito. Vivenciaram juntos um final de semana de terror e mistério. Vi as fotos. O local é fantástico. E apropriado para o evento. Segundo ela me contou, uma noite ela não conseguiu ir sozinha ao seu chalé. Sem ninguém que também fosse para aqueles lados, no escuro, com a bateria do celular nas últimas, sem possibilidades de iluminar o caminho, ela olhou a névoa garoenta, as árvores escuras e se apavorou. Resolveu ficar na casa grande até ter alguém com quem enfrentar o caminho. É bom dizer que lá celulares e internet não funcionam! O grupo era grande, 15 pessoas. Todas envolvidas com terror e mistério (na literatura). Ela passou boa parte do tempo ouvindo as histórias de Ilana Casoy, o maior nome de literatura criminal no Brasil. Até aqui, Vera só tem escrito as minhas investigações, mas ela retornou tão impressionada com Ilana que acabei ficando um pouco enciumado. Espero que tenham ficado amigas e que quando eu precisar de ajuda nas minhas investigações, Ilana possa me dar umas dicas. Mas Vera jamais escreverá outras investigações que não as minhas. Este encontro foi organizado pela Cassia Carrenho, e estiveram lá ótimos escritores como Santiago Nazarian, Raphael Montes e a Ilana Casoy. Esteve lá também Mariana Rolier, editora da Harper Collins. Ela tem as dicas do que é bom ou não para as editoras. Bem, estou no meio de uma investigação complicada e não tenho muito tempo para escrever. Quando sair desta, Vera com certeza escreverá mais um livro.
